Sustentabilidade e Desenvolvimento Sustentável

 

A sustentabilidade é um conceito que desde há várias décadas chamou a atenção de estudiosos de diferentes disciplinas. Biólogos, sociólogos, antropólogos, geógrafos, urbanistas, arquitectos, entre outros, tentaram definir cada vez com maior precisão o seu significado.

A sua história inicia-se na década dos anos setenta quando a defesa do meio ambiente converteu-se num dos temas mais importantes das campanhas e agendas políticas em distintos países. Foi precisamente em Junho de 1972, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano celebrada em Estocolmo, Suécia, que nasceu a convicção de que se estava a atravessar uma crise ambiental a nível mundial.

A partir desta conferência, onde se reuniram 103 estados membros das Nações Unidas e mais de 400 organizações governamentais, reconheceu-se que o meio ambiente é um elemento fundamental para o desenvolvimento humano. Com esta perspectiva iniciaram-se programas e projectos que trabalhariam para construir novas vias e alternativas com o objectivo de enfrentar os problemas ambientais e, ao mesmo tempo, melhorar o aproveitamento dos recursos naturais para as gerações presentes e futuras.

Anos mais tarde, em 1987, a Comissão de Meio Ambiente da ONU emitiu um documento intitulado "O Nosso Futuro Comum", também conhecido com o nome de "Relatório Brundtland", pelo apelido da doutora que encabeça a investigação. Neste estudo é chamada a atenção para que a humanidade deva mudar as suas modalidades de vida e de interacção comercial, se não desejava o advir de uma era com inaceitáveis níveis de sofrimento humano e degradação ecológica. Neste texto, o desenvolvimento sustentável definiu-se como "aquele que satisfaz as necessidades actuais sem por em perigo a capacidade das gerações futuras para satisfazer as suas próprias necessidades".

Desta definição, exposta em 1987, a percepção da sustentabilidade transformou-se numa visão centrada na deterioração do meio ambiente para uma definição mais integral que inclui muitos outros aspectos vinculados com a qualidade de vida do ser humano. Assim as noções de sustentabilidade desenvolvidas nos anos posteriores ao relatório de Brundtland incluirão menções a um cúmulo de processos socioeconómicos, políticos, técnicos, produtivos, institucionais e culturais que estão relacionados com a satisfação das necessidades humanas.

Como se pode ver, com o passar do tempo a sustentabilidade chegou a constituir um conceito que evoca uma multiplicidade de processos que a compõem. Há que dizer, contudo, que se trata de algo mais que um termo. A sustentabilidade pressupõe uma nova forma de pensar, na qual os seres humanos, a cultura e a natureza são inseparáveis.